Diário da Shú: Morando sozinha aos 17 anos.

Eu saí para morar sozinha pela primeira vez aos 17 anos. Fui morar em uma república (pensão para os pobres né haha). Fui por muitos motivos, mas um deles era a minha vontade de morar sozinha. Me lembro de falar nesse assunto desde muito cedo, mais ou menos aos 10 anos com minha colega Ariane. Então era algo que já era esperado, e super natural na minha cabeça. A decisão foi super rápida, do dia para a noite já estava me vendo dentro de um quarto minúsculo, com uma cama, uma tv, e uma cômoda. Aquilo era tudo do que eu precisava. Foi lá que eu aprendi a lavar roupa, nunca se quer tinha tido a experiência de lavar roupa em “máquina que faz tudo”, me vi tendo que lavar no tanque, na mão. Era um mês muito frio, me lembro como se fosse hoje. Todas as dúvidas básicas, que se tem quando se mora sozinha pela primeira vez, eu fazia para a dona da pensão e para as outras meninas que dividiam a pensão comigo (se fosse hoje, era só olhar no youtube haha).

Foi lá também que descobri que “quando o homem quer ser porco ele é fera nisso, e faz muito bem”. Junto com a gente (morávamos em 3 meninas), morava um homem (barbado já) que mal víamos, mas ele deixava seus rastros por onde ele passava. Deixava cabelo no ralo (lembrando que ele tinha pouquíssimo cabelo, podem imaginar né haha), louça suja na nossa cozinha que era comunitária, vaso sanitário todo “enxixizado” e comia tudo que estava na geladeira que não lhe pertencia. Resumindo: Ele fazia tudo para que uma jovem de 17 anos pegasse nojo de homem, e achar que eles eram todos iguais (só para avisar que o nojo passou haha).

Morei lá pouco menos de um ano, mas foi fantástico, fazia tudo que eu imaginava fazer, dormia até tarde, comia na cama, voltava para casa a hora que bem entendia (mas eu mal saia de dentro do quarto). Depois de lá, morei com tia, avó de novo, irmão mais novo, sozinha por alguns anos de novo, e hoje estou casada (amasiada, junta, enrolada) com o Jean.

Não vou ficar aqui dando dicas para quem vai morar sozinha, porque sei que não adianta, as pessoas até vão ler, mas na hora de fazer, fazem do jeito que bem entendem, baita tempo perdido.
Não foi um momento de conto de fada, mas foi um dos momentos da vida que me fez o que sou hoje.

Espero que tenham gostado, e aguardem cenas dos próximos capítulos dessa minha vida agitadíssima haha.
Beijos e até a próxima